Loading...

terça-feira, 2 de abril de 2013

Filosofia Contemporânea: Jurgen Habermas






Habermas propõe um novo conceito de razão, a razão comunicativa, como forma de retomar o projeto emancipatório da humanidade em novas bases. Assim, Cotrim (2010) diz que dentre os teóricos da Escola de Frankfurt, o de maior influência atualmente é Habermas. Em sua tese, ele discorda de Adorno e Horkheimer no que se refere aos conceitos centrais da análise realizada por esses dois filósofos: razão, verdade e democracia. Adorno e Horkheimer chegam a um impasse quanto à possibilidade de uma razão emancipatória, já que estaria asfixiada pelo desenvolvimento do capitalismo.
De acordo com Habermas, essa é uma posição perigosa em filosofia, pois poderia conduzir a uma crítica radical da modernidade e, em consequência, da razão, que levaria ao irracionalismo. Em seu artigo “Modernidade versus pós-modernidade”, ele enfatiza esse ponto, afirmando, contra a tendência ao irracionalismo presente na chamada filosofia pós-moderna. Ou seja, o potencial para a racionalização do mundo inda não está esgotado. Por isso Habermas costuma ser descrito como “o último grande racionalista”.

O racionalismo ocidental precisa cair em si mesmo e superar suas próprias cegueiras, a fim de poder abrir-se dialogicamente para aquilo que pode aprender das tradições das outras culturas. Um encontro intercultural digno desse nome teria a capacidade de trazer à tona elementos de nossa própria tradição que foram soterrados. (...) os filósofos não são capazes de transformar o mundo. O que nós necessitamos é de um pouco mais de práticas solidárias; sem isso, o próprio agir inteligente permanece sem consistência e sem consequências. No entanto, tais práticas necessitam de instituições racionais, de regras e formas de comunicação, que não sobrecarreguem moralmente os cidadãos e sim, elevem em pequenas doses a virtude de se orientar pelo bem comum (HABERMAS, 1993, p.94).

D’Angelo (2011), Jürgen Habermas que faz parte da segunda geração da Escola de Frankfurt, iniciou um envolvimento mais profundo com essa corrente na década de 1950, trabalhando como assistente de Theodor Adorno na Universidade de Frankfurt. A principal crítica de Habermas aos frankfurteanos refere-se ao desligamento feito por eles entre a esfera econômica (sistêmica) e o espaço social onde os indivíduos atuam, que ele chama de mundo vital. Em relação ao pensamento de Marx, Habermas admite que a importância que ele atribui à produção econômica no desenvolvimento histórico não corresponde ao seu real impacto. A interação social (relação entre homens mediatizados pela linguagem) também tem um papel fundamental na história. No desenvolvimento das categorias trabalho e interação não existe uma correspondência necessária, mas uma autonomia relativa. Por isso mesmo, o progresso econômico e científico não assegura automaticamente uma vida melhor para as pessoas e maior liberação e participação política e cultural.
Para Chalita (2004), Habermas formula o conceito de razão comunicativa (ou discursiva), visando estabelecer um elo entre a razão teórica e a razão prática. Desse modo, a linguagem seria vista como um instrumento para a compreensão dos homens em sua s relações sociais. Segundo esse filósofo, a sociedade é permeada por uma razão instrumental, que leva o homem a um desenvolvimento estritamente técnico, o que implica a perda da autonomia e a consequente submissão às regras de dominação. A inserção de uma perspectiva crítica recupera a dimensão de uma racionalidade não instrumental, fundada no agir comunicativo entre homens livres, ou seja, em uma razão comunicativa, que emancipa os indivíduos do seu estado de dominação técnica. Portanto, Habermas constrói a teoria da ação comunicativa, segundo a qual a crítica, como substrato da linguagem, deve encontrar-se livre das distorções originadas pela ideologia, se pretendermos que ela conduza o homem no caminho de sua liberdade de convicção. Pode-se dizer que a teoria da ação comunicativa funda a chamada ética discursiva que, fruto da relação entre indivíduos, permite um posicionamento crítico acerca dos ditames normativos da sociedade.

Filosofia Contemporânea: Herbert Marcuse






Para Wiggershaus (2002) os dois grandes filósofos da alienação, da inautenticidade que atingiram a glória nos anos 20, Georg Lukács e Martin Heidegger, foram os dois grandes inspiradores de Herbert Marcuse.
Na perspectiva de D’Angelo (2011) como filósofo, Marcuse constrói seu pensamento articulando a ideia de negatividade, que ele considerava o núcleo da filosofia de Hegel, à crítica de Marx à estrutura da sociedade capitalista e à psicanálise de Freud. A partir dessas fontes, Marcuse procura demonstrar a possibilidade de o homem ser feliz, isto é, a possibilidade de superação do “princípio de realidade”, que estabelece uma oposição entre homem e sociedade. Para Matos (1993) Marcuse reflete acerca da recepção “burguesa” dos ideais de busca do prazer e da felicidade, para elaborar as relações possíveis que o “pensamento burguês” – abstrato – pode manter com a procura da felicidade pessoal em vista das transformações sociais.

Marcuse, assevera Chalita (2004), ao aliar os pensamentos de Marx e Freud, argumentava que o progresso tecnológico confere aos trabalhadores maior tempo livre, o que gera uma civilização não repressiva, voltada para a racionalidade da satisfação. Assim, o corpo deverá ser convertido num instrumento de prazer em vez de ser instrumento de trabalho alienado, para que a satisfação possa vencer a repressão. Nesse ponto, a tarefa da filosofia seria anunciar essa possibilidade. Se isso não ocorrer, teremos o contrário, ou seja, a perpetuação do desenvolvimento tecnocientífico a serviço da dominação e da homogeneização dos indivíduos. Tal situação criaria o que Marcuse chamou de homem unidimensional, incapaz de criticar a opressão e construir alternativas futuras.
O homem de uma dimensão é o homem que vive em uma sociedade de uma dimensão, sociedade justificada e coberta pela filosofia de uma dimensão. A sociedade de uma dimensão é a sociedade sem oposição, ou seja, sociedade que paralisou a crítica através da criação de um controle total. A filosofia de uma dimensão é a filosofia da racionalidade tecnológica e da lógica do domínio; é a negação do pensamento crítico, da “lógica do protesto”; é a filosofia “positivista” que justifica “a racionalidade tecnológica” (REALE; ANTISERI, 2005, p.481).

Filosofia Contemporânea: Escola de Frankfurt



Max Horkheimer um dos fundadores e principais membros, juntamente com Adorno, da escola de Frankfurt, Horkheimer nasceu na Alemanha, doutorando-se pela Universidade de Frankfurt, onde dirigiu a partir de 1930 o famoso Instituto de Pesquisas Sociais, que viria a ser o núcleo da escola. Sua obra é voltada, sobretudo para temas centrais da sociedade contemporânea como família, a questão da autoridade política e do autoritarismo, a cultura de massas, a ideologia da sociedade burguesa (JAPIASSÚ; MARCONDES, 2006).
Ao analisar o pensamento de Horkheimer, Wiggershaus (2002) afirma que a base principal era a indignação diante da injustiça social, diante do contraste entre riqueza e pobreza. Sobre esse ponto, Horkheimer podia fundamentar-se em sua própria experiência como filho de milionário. Essa era, para ele, uma arma mágica contra a suspeita de nutrir ressentimentos. Assim, como o olhar do pintor barroco via em um belo corpo fervilharem os vermes da decomposição, Horkheimer via “que todos aqueles cavalheiros e damas distintos não só exploravam continuamente a miséria dos outros, mas ainda produziam-na, renovavam-na para poder viver a sua custa e aprontavam-se para defender esse estado de coisas ao preço do sangue alheio, tanto quanto preciso fosse”.
Para Max Horkheimer, afirma Reale; Antiseri (2005) o perfil desejado pelos capitalistas e o controle do plano desejado pelo comunismo sempre geraram maior repressão. E tudo isso aconteceu – escreveu Horkheimer em Eclipse da razão. Crítica da razão instrumental (1947) – porque a cultura industrial moderna está viciada por uma razão que renunciou à sua autonomia e que é doravante ancilla adminstrationis (serva da administração). A razão, hoje, não oferece mais verdades objetivas e universais às quais poder-se agarrar; proporciona unicamente instrumentos para objetivos estabelecidos por quem detém o poder. Estamos em plena decadência do pensamento; uma decadência que favorece a obediência aos poderes constituídos, “sejam estes representados grupos que controlam o capital ou por aqueles que controlam o trabalho”. É nessa situação desesperada, o melhor serviço que a razão pode prestar á humanidade é precisamente “a denúncia daquilo que é comumente chamado de razão”.
Reale; Antiseri (2005, p.476) descreve a razão instrumental afirmando que, o conceito de racionalidade que está na base da civilização industrial é podre na raiz: “A doença da razão está no fato de que ela nasceu da necessidade humana de dominar a natureza [...]”.
Sobre Adorno, Wiggershaus (2002, p.98) diz que Theodor Wiesengrund tinha passado no exame do bacharelado, depois de apenas um ano na última série do secundário, sem precisar sequer prestar exame oral, e tinha começado, em Frankfurt, no semestre do verão de 1921, aos 17 anos, a estudar filosofia, musicologia, psicologia e sociologia. Mostrando ser um filósofo de grande envergadura.
Theodor Adorno desenvolveu uma teoria crítica da ideologia da sociedade industrial e de sua cultura, que marca distintamente a posição da escola de Frankfurt. Formulou o conceito de “indústria cultural” para caracterizar a exploração comercial e a vulgarização da cultura, principalmente através do rádio e do cinema. Denunciou sobretudo, a ideologia da dominação da natureza pela técnica, que traz como consequência a dominação do próprio homem (JAPIASSÚ; MARCONDES, 2006,p.3).

Para Adorno, a denominada indústria cultural encontra-se voltada única e exclusivamente para a satisfação dos interesses comerciais dos detentores dos veículos de comunicação, que veem a sociedade como mero mercado de consumo dos produtos por eles impostos, dando origem a um processo de massificação da cultura. Adorno foi o criador da expressão indústria cultural, utilizada para demonstrar a exploração comercial da cultura por meio dos veículos de comunicação modernos, como o rádio e o cinema. Desse modo, segundo Adorno, a mídia impõe uma cultura de massa, que determina os valores e modelos de comportamentos a serem seguidos pela sociedade, bloqueando a criatividade do ser humano, que passa a aceitar passivamente os fins previamente estabelecidos pelos detentores do poder (CHALITA, 2004, p.375).

Filosofia Contemporânea: Karl Jaspers








Karl Jaspers buscou no pensamento de Kierkegaard, de Schelling, de Spinoza e também de Nietzsche alguns dos pressupostos de sua filosofia. Störig (2009) mostra com clareza a base da concepção de Jaspers acerca da existência. Pode-se apreender o ser humano com o auxílio das diversas ciências do homem. No tempo mais recente, três ciências ganharam (para Jaspers) o primeiro plano: sociologia, psicologia e antropologia. Todas essas ciências conhecem algo no homem, mas não o próprio homem. Elas nunca veem senão um recorte parcial limitado do homem.

A existência e as situações-limites
Como se coloca o homem frente ao mundo? Ou de outra maneira, como definir a existência humana? Para Japiassú; Marcondes (2006) em Jaspers a existência não seria o individuo biológico, tampouco o pensamento generalizante ou a vida sem problemas, mas o homem que joga seu destino no curso da história e que pode, por decisão, perder-se ou ganhar-se a cada instante de sua vida.
Também num outro sentido quer o homem ultrapassar-se: não avançando pelo mundo, mas projetando-se para além do mundo; não na insaciável e sempre renovada inquietude de sua existência temporal, mas na quietude da eternidade, no tempo que abole o tempo. Quietude, sob forma de duração no tempo, não é concebida ao homem. Significaria o fim dos tempos. O instante de repouso do mundo não pode pôr-se como realização. Tudo continua. No instante perfeito, quando este é concedido ao homem, brilha a luz do repouso eterno. Aquele instante testemunha a calma escondida em nós, que não se projeta no tempo. Essa calma é o conteúdo da transcendência e nosso destino é sermos nela recebidos, com os companheiros que tivemos. A imutabilidade de Deus é uma imagem dessa quietude. É nessa direção que o homem tende a se ultrapassar, não mais avançando no mundo mas caminhando para a transcendência, inacessível a nosso conhecimento e inefável (JASPERS, 2011, p.59).

Quando Jaspers fala de situações-limites, trata-se de situações derradeiras, que não podem ser alteradas ou contornadas: a morte, o sofrimento, a luta, a culpa. Somente nelas, o todo da existência pode realizar. No entramos em tal situação com atenção, nós nos tornamos totalmente nós mesmos.
Segundo Reale; Antiseri (2005) a transcendência é inatingível para o conhecimento científico. E, no entanto, ela se revela nos “sinais” das situações-limites e do naufrágio da existência. Mas essa linguagem cifrada deve ser lida. E é lida na intimidade da própria existência. Por isso, enquanto a verdade científica é objetiva e anônima, a verdade filosófica é existencial e singular. “Deus é sempre o meu Deus, e eu não o tenho em comum com os outros homens”.
Todavia, se a verdade filosófica tem suas raízes no profundo da existência singular, como se pode transmiti-la aos outros e com quais razões pode ser selecionada e aceita? Para Jaspers, a “verdade”, isto é, a transcendência, é buscada por todas as filosofias, mas jamais é posse exclusiva de um ponto de vista. Naturalmente, a verdade está ligada à existência singular e, por isso, é única: eu sou a minha verdade.

Unidade 4. A Escola de Frankfurt

1 Escola de Frankfurt
Caixa de texto:  
 Félix Weil

Caixa de texto: Felix Weil, empresário e filantropo da cultura, nasceu na Argentina em 1898, foi o mecena e fomentador do Instituto de Pesquisa Social. As primeiras reuniões que deram origem à Escola de Frankfurt foram concebidas por Weil e um grupo de estudantes do pensamento de Karl Marx.





O Instituto de Pesquisa Social, que ficou conhecido como “Escola de Frankfurt” foi criado em 1923 por um grupo de intelectuais alemães com a ajuda de Felix Weil e de seu pai, Hermann Weil, um importante exportador de trigo da Argentina. O primeiro diretor do Instituto foi o economista marxista austríaco Carl Grünberg (1861-1940), que ocupou formalmente essa função até 1930. A partir de 1931, Max Horkheimer passou a ocupar o cargo de diretor do Instituto. O meio de comunicação e divulgação das pesquisas realizadas pelo Instituto passou a ser, nessa época, a Revista para Pesquisa Social (D’ANGELO, 2011, p.57).
.
Cotrim (2010, p.280) A Escola de Frankfurt é o nome dado ao grupo de pensadores alemães do Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt, fundado na década de 1920. Sua produção ficou conhecida como teoria crítica. Entre seus pensadores destacaram-se Theodor Adorno, Max Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse e Jurgen Habermas, além de Erich Fromm, psicanalista teuto-americano. “Considerada uma escola crítica de origem marxista, procura determinar uma visão global e crítica da sociedade burguesa, centrada no método dialético, que seria o único capaz de superar as contradições do mundo social.” (CHALITA, 2004, p.373).
Apesar de grandes diferenças de pensamento entre esses autores, identificamos neles a preocupação comum de estudar aspectos variados da vida social, de modo a compor uma teoria crítica da sociedade como um todo. Para tanto, investigaram as relações existentes entre os campos da economia, da psicologia, da história e da antropologia. Os pontos de partida fundamentais de suas reflexões foram a teoria marxista e a teoria freudiana, que trouxe à tona elementos novos sobre o psiquismo das pessoas. Mas há também outras influências, como as de Hegel, Kant ou do sociólogo Max Weber. A Escola de Frankfurt concentrou seu interesse na análise da sociedade de massa, termo que buscava caracterizar a sociedade atual, na qual o avanço tecnológico é colocado a serviço da reprodução da lógica capitalista, enfatizando o consumo e a diversão como formas de garantir o apaziguamento e a diluição dos problemas sociais.

Filosofia Contemporânea: Jean Paul Sartre







Sartre foi romancista, dramaturgo, contista, ensaísta, filósofo, político, um homem de muitas facetas. Alguns biógrafos assinalam que para experimentar, viver e agir no seu tempo, Sartre utilizou todos os meios que pôde. Uma classificação formal teria de descrevê-lo simultaneamente como um filósofo, um ficcionista, um autor dramático, um crítico literário, um argumentista para cinema, um jornalista e um panfletário político com aparentes e permanentes aspirações a ser também um sociólogo e um psicanalista (MACIEL, 1975, p.12).

Sartre foi profundamente influenciado pelo seu contexto histórico, por isso, tornou-se um pensador e ao mesmo tempo um ativista político. Segundo Cotrim (2010) Jean Paul Sartre recebeu significativa influência filosófica de Heidegger. Durante os anos da Segunda Guerra Mundial, participou da luta da resistência francesa contra o nazismo. Também aderiu ao marxismo, considerando-o a filosofia da época, embora, diante da intervenção soviética na Hungria, em 1956, tenha rompido com o Partido Comunista, acusando-o de se desviar do sentido autêntico do marxismo. Sartre tornou-se o filósofo mais conhecido da corrente existencialista. No entanto, grande parte de sua fama deve-se não propriamente à sua obra filosófica, mas às suas peças de teatro e romances, dentre os quais se destacam A náusea, O muro, A idade da razão, O diabo e o bom Deus.

O termo existencialismo não designa um sistema filosófico concreto. Poderia reserva-se este nome, e seria conveniente aplicá-lo à filosofia de Sartre, porém, quando aplicamos tão conceito à filosofia de Gabriel Marcel, que depois de falar por muito tempo que era existencialista, acabou por repudiar esse título (COPLESTON, 1959, p.195).


O homem nauseado
Jean Paul Sartre (1986, p.7) inicia a sua obra A náusea com a seguinte epígrafe: “É um rapaz sem importância coletiva; é apenas um indivíduo”. Nessa expressão já vem embutido o sentido da existência humana – da existência concreta, apanhada em seu viver cotidiano, destituída de qualquer realce especial, desprovido, até mesmo de significado coletivo (BORNHEIM, 1984, p.16). Para Sartre, a primeira experiência que tem grande valor como revelação existencial é a descoberta da náusea.
Segundo Souza (2004) a náusea se revela, como parte constitutiva daquilo que o homem é, e não sendo mais algo que se acrescenta a ele. A existência para Sartre é um absurdo. Por isso, conclui que a vida, o homem é uma “paixão inútil” (SARTRE, 1997, p.750). a partir dessas colocações, ele afirma o absurdo da existência como vemos a seguir: e sem formular claramente nada, compreendi, a chave de minhas náuseas, de minha própria vida. De fato, tudo o que pude captar, liga-se a esse absurdo fundamental. Um gesto, um acontecimento no pequeno mundo dos homens sempre é apenas relativamente absurdo: em relação às circunstâncias que o acompanham. Os discursos de um louco, por exemplo, são absurdo: em relação à situação em que este se encontra, mas não em relação ao seu delírio. E acrescenta, o mundo das explicações e das razões não é o da existência. A razão não oferece a base para explicar o mundo humano, a existência é náusea, é absurdo. Mas como pode ser superado essa dimensão de vazio? Sartre nos mostra que o homem é um projeto, para isso, recorre à ontologia.
Liberdade - uma das condições fundamentais da existência humana é a liberdade. Por isso, no homem a existência precede a essência, ele se faz, se projeta.  Não tem o homem, pois, uma natureza dada previamente, não se define antes de existir, mas sua definição, o que ele é, a sua essência, será o que ele fizer, será o que ele construir, existindo.
Eis, pois, o significado de, no homem,diz Sartre (1978) a existência preceder a essência: significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem tal como concebe o existencialista, não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. Assim, não há natureza humana, visto que não há Deus para conceber. O homem é apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se deseja após este impulso para a existência, o homem não é mais que o que ele faz.
Se, com efeito, a existência precede a essência, não será nunca possível referir uma explicação a uma natureza dada e imutável; por outras, não há determinismo, o homem é liberdade, vocifera Sartre (1978). Portanto, não há mais desculpas ou justificações. O homem sartreano não tem escolha porque está condenado a existir para além de sua essência. Condenado porque não se criou a si próprio, e no entanto livre, porque uma vez lançado ao mundo é responsável por tudo quanto fizer.
Segundo Sartre (1999) o homem é condenado a ser livre porque a liberdade não é uma qualidade que o homem adquire. Ele é livre, faça o que fizer. Lançando-se no mundo, o homem define-se pouco a pouco, tenta uma definição que, de resto, fica sempre incompleta e aberta. Podemos sempre escolher a possibilidade, o modo ou a maneira de viver a nossa existência.
No sentido existencialista, ao afirmar a máxima de que “o homem está condenado a ser livre”, faz-se necessário que o homem deva assumir as próprias escolhas para ser responsável pela sua própria condição. Ele tem que tomar decisões relativamente ao itinerário de usa existência e, por isso, se angustia. E está sem amparo, sem âncoras para essa escolha, cada indivíduo é responsável pela sua existência, isto é, tem em suas mãos a vitória ou o fracasso de suas ações. Em Sartre, o indivíduo é livre para construir o seu projeto existencial de seu viver.

O homem é antes de mais nada um projeto que vive subjetivamente (...) nada existe anteriormente a este projeto; nada há no céu inteligível, e o homem será antes de mais o que tiver projetado ser (SARTRE, 1978, p. 217).