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terça-feira, 2 de abril de 2013

Filosofia Contemporânea: Karl Jaspers








Karl Jaspers buscou no pensamento de Kierkegaard, de Schelling, de Spinoza e também de Nietzsche alguns dos pressupostos de sua filosofia. Störig (2009) mostra com clareza a base da concepção de Jaspers acerca da existência. Pode-se apreender o ser humano com o auxílio das diversas ciências do homem. No tempo mais recente, três ciências ganharam (para Jaspers) o primeiro plano: sociologia, psicologia e antropologia. Todas essas ciências conhecem algo no homem, mas não o próprio homem. Elas nunca veem senão um recorte parcial limitado do homem.

A existência e as situações-limites
Como se coloca o homem frente ao mundo? Ou de outra maneira, como definir a existência humana? Para Japiassú; Marcondes (2006) em Jaspers a existência não seria o individuo biológico, tampouco o pensamento generalizante ou a vida sem problemas, mas o homem que joga seu destino no curso da história e que pode, por decisão, perder-se ou ganhar-se a cada instante de sua vida.
Também num outro sentido quer o homem ultrapassar-se: não avançando pelo mundo, mas projetando-se para além do mundo; não na insaciável e sempre renovada inquietude de sua existência temporal, mas na quietude da eternidade, no tempo que abole o tempo. Quietude, sob forma de duração no tempo, não é concebida ao homem. Significaria o fim dos tempos. O instante de repouso do mundo não pode pôr-se como realização. Tudo continua. No instante perfeito, quando este é concedido ao homem, brilha a luz do repouso eterno. Aquele instante testemunha a calma escondida em nós, que não se projeta no tempo. Essa calma é o conteúdo da transcendência e nosso destino é sermos nela recebidos, com os companheiros que tivemos. A imutabilidade de Deus é uma imagem dessa quietude. É nessa direção que o homem tende a se ultrapassar, não mais avançando no mundo mas caminhando para a transcendência, inacessível a nosso conhecimento e inefável (JASPERS, 2011, p.59).

Quando Jaspers fala de situações-limites, trata-se de situações derradeiras, que não podem ser alteradas ou contornadas: a morte, o sofrimento, a luta, a culpa. Somente nelas, o todo da existência pode realizar. No entramos em tal situação com atenção, nós nos tornamos totalmente nós mesmos.
Segundo Reale; Antiseri (2005) a transcendência é inatingível para o conhecimento científico. E, no entanto, ela se revela nos “sinais” das situações-limites e do naufrágio da existência. Mas essa linguagem cifrada deve ser lida. E é lida na intimidade da própria existência. Por isso, enquanto a verdade científica é objetiva e anônima, a verdade filosófica é existencial e singular. “Deus é sempre o meu Deus, e eu não o tenho em comum com os outros homens”.
Todavia, se a verdade filosófica tem suas raízes no profundo da existência singular, como se pode transmiti-la aos outros e com quais razões pode ser selecionada e aceita? Para Jaspers, a “verdade”, isto é, a transcendência, é buscada por todas as filosofias, mas jamais é posse exclusiva de um ponto de vista. Naturalmente, a verdade está ligada à existência singular e, por isso, é única: eu sou a minha verdade.

Unidade 4. A Escola de Frankfurt

1 Escola de Frankfurt
Caixa de texto:  
 Félix Weil

Caixa de texto: Felix Weil, empresário e filantropo da cultura, nasceu na Argentina em 1898, foi o mecena e fomentador do Instituto de Pesquisa Social. As primeiras reuniões que deram origem à Escola de Frankfurt foram concebidas por Weil e um grupo de estudantes do pensamento de Karl Marx.





O Instituto de Pesquisa Social, que ficou conhecido como “Escola de Frankfurt” foi criado em 1923 por um grupo de intelectuais alemães com a ajuda de Felix Weil e de seu pai, Hermann Weil, um importante exportador de trigo da Argentina. O primeiro diretor do Instituto foi o economista marxista austríaco Carl Grünberg (1861-1940), que ocupou formalmente essa função até 1930. A partir de 1931, Max Horkheimer passou a ocupar o cargo de diretor do Instituto. O meio de comunicação e divulgação das pesquisas realizadas pelo Instituto passou a ser, nessa época, a Revista para Pesquisa Social (D’ANGELO, 2011, p.57).
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Cotrim (2010, p.280) A Escola de Frankfurt é o nome dado ao grupo de pensadores alemães do Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt, fundado na década de 1920. Sua produção ficou conhecida como teoria crítica. Entre seus pensadores destacaram-se Theodor Adorno, Max Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse e Jurgen Habermas, além de Erich Fromm, psicanalista teuto-americano. “Considerada uma escola crítica de origem marxista, procura determinar uma visão global e crítica da sociedade burguesa, centrada no método dialético, que seria o único capaz de superar as contradições do mundo social.” (CHALITA, 2004, p.373).
Apesar de grandes diferenças de pensamento entre esses autores, identificamos neles a preocupação comum de estudar aspectos variados da vida social, de modo a compor uma teoria crítica da sociedade como um todo. Para tanto, investigaram as relações existentes entre os campos da economia, da psicologia, da história e da antropologia. Os pontos de partida fundamentais de suas reflexões foram a teoria marxista e a teoria freudiana, que trouxe à tona elementos novos sobre o psiquismo das pessoas. Mas há também outras influências, como as de Hegel, Kant ou do sociólogo Max Weber. A Escola de Frankfurt concentrou seu interesse na análise da sociedade de massa, termo que buscava caracterizar a sociedade atual, na qual o avanço tecnológico é colocado a serviço da reprodução da lógica capitalista, enfatizando o consumo e a diversão como formas de garantir o apaziguamento e a diluição dos problemas sociais.

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