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segunda-feira, 1 de abril de 2013

FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA KARL MARX

A DIALÉTICA MARXISTA




Para Cotrim; Fernandes (2010) Karl Marx é provavelmente um dos pensadores que maior influência exerceu sobre a filosofia contemporânea. Sua importância está destacada na afirmação do pensador francês Raymond Aron de que se a grandeza de um filósofo fosse medida pelos debates que suscitou, nenhum deles, nos últimos séculos, poderia ser comparado a Karl Marx. Nos tempos da universidade, Marx revelou entusiasmo pelo estudo do direito, da filosofia e da história. Formado em filosofia no círculo do idealismo alemão, tentou seguir a carreira universitária como professor, mas não conseguiu seu intento devido a questões políticas. Em 1844 conheceu Friedrich Engels (1820-1895) em Paris, e ambos se tornaram amigos inseparáveis por toda a vida. Em 1848, lançaram o celebre Manifesto comunista. Seguindo o lema de que a filosofia deve ser também prática, participaram juntos de diversas atividades políticas e escreveram várias obras, que lhes custaram duras perseguições dos governos constituídos. O conjunto de suas ideias foi depois interpretado e desenvolvido por outros pensadores, ficando conhecido com marxismo.
No entanto, para o entendimento do ponto de partida filosófico de Marx, nada é tão imprescindível como o esclarecimento de sua relação com Hegel. O traço principal da relação com Hegel pode ser assim caracterizado de forma bem simples: Marx mantém a dialética hegeliana como método; mas ele a preenche com um conteúdo exatamente oposto ao de Hegel, girando-a 180 graus; na perspectiva de Marx, somente desta maneira ela pode ser corrigida. O que significa isso?
Marx vê na dialética um princípio revolucionário. O seu pensamento fundamental é o de que o mundo não é um complexo de coisas prontas, mas de processos. Não há nada definitivo e absoluto. Existe apenas o incessante processo do vir-a-ser e extinguir-se. Marx fez uma crítica radical ao idealismo hegeliano, na qual afirma que Hegel inverte a relação entre o que é determinante – a realidade material – e o que é determinado - as representações e conceitos acerca dessa realidade. A filosofia idealista seria, assim, uma grande mistificação que pretende entender o mundo real, concreto, como manifestação de uma razão absoluta. Marx procurou, portanto, compreender a história real dos seres humanos em sociedade a partir das condições materiais nas quais eles vivem. Essa visão da história foi chamada posteriormente por Engels de materialismo histórico.

O que significa, pois o materialismo dialético à vida social? Lênin afirma: “Se o materialismo esclarece, de fato, a consciência mediante o ser, e não o inverso, ele, em sua aplicação à vida social do ser humano, exige assim o esclarecimento da consciência social mediante o ser social.” Quer dizer: para o materialismo, a matéria é o único real. A consciência pensante é apenas um espelho da realidade. De modo semelhante, na vida social o ser social tem de ser o único real. A consciência social – ideias, teorias, concepções, etc – é apenas um reflexo dessa realidade. Portanto, para se conhecer as forças propulsoras na vida social, não se deve atentar para as teorias. Elas são apenas reflexo, a “superestrutura ideológica” da realidade. Tem-se de procurar pela base material da vida social. O modo de pensar das pessoas está em conformidade com o seu modo de viver (STÖRIG, 2009, p.430).

Na descrição realizada por D’Angelo (2011, p.14) o materialismo dialético é considerado a filosofia do marxismo, distinguindo-se do materialismo histórico, que seria a ciência marxista. Enquanto visão de mundo o materialismo dialético seria – como admite Engels no prefácio da segunda edição do Anti-Düring – um corpo teórico considerado como verdadeiro em relação à realidade como um todo, uma espécie de filosofia natural que generaliza as descobertas das ciências específicas. As teorizações fundamentais do materialismo dialético são apresentadas por Marx e Engels como leis gerais que governam a natureza, a sociedade e o pensamento. Enquanto teoria o materialismo dialético se apresenta amparado cognitivamente pela cientificidade do materialismo histórico. Tratava-se, no contexto do século XIX, de reivindicar o mesmo rigor desfrutado pelas demais ciências e, ao mesmo tempo, contrapor-se a outras teorias, como a de Düring, e a grupos políticos que reivindicavam essa cientificidade. A combinação do materialismo com a dialética resultou na modificação de ambas. Nesse caso o material e o ideal são opostos, porém fazem parte de uma unidade na qual a matéria é essencial, pois pode existir matéria sem espírito, mas o inverso não é possível.
Segundo Marx, caberia à classe social que possui, nesse momento, um caráter revolucionário intervir por meio de ações concretas, práticas, para que essas transformações ocorram. Foi o que aconteceu, por exemplo, na passagem do feudalismo ao capitalismo, com as revoluções burguesas. O filósofo sintetiza essa análise na afirmação de que a luta de classes é o motor da história, isto é, a luta de classes faz a história se mover. Por isso, no Manifesto comunista (1848), ele afirma que a história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e aprendiz; numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta.

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